Vale a pena ser multitarefa? A Neurociência diz que não

 

 

 Nos habituamos a fazer duas ou mais atividades simultaneamente – a chamada “multitarefa”. No caso de atividades que requerem atenção, porém, há maior propensão a erros e perda de produtividade.

 

Confesso que já invejei pessoas que fazem várias coisas ao mesmo tempo, como navegar na internet e falar no telefone ou trocar mensagens do Whats App em duas, três conversas sobre assuntos diferentes. Isso porque, reconheço, nunca me dei bem nas artes da multitarefa. Executar simultaneamente duas ou mais atividades que demandam atenção é estressante para mim, e com frequência acabo fazendo algo errado.

 

Depois que passei a estudar sobre gerenciamento da atenção, encontrei vários estudos que me redimiram dessa culpa. Lavei a alma com a pesquisa de um neurocientista do respeitado MIT, Earl Miller, que constatou: realizar simultaneamente duas ou mais tarefas que requerem raciocínio e atenção consome mais tempo, induz a erros e compromete nossa efetividade, tanto no trabalho como na vida pessoal. 

 

Por que a multitarefa compromete nossa efetividade?

 

A razão está na capacidade de processamento do córtex pré-frontal, estrutura do cérebro que utilizamos para prestar atenção e raciocinar. Os neurocientistas afirmam que essa capacidade é restrita e só podemos alocar atenção em uma atividade por vez. Como nossas mudanças de foco de atenção podem ser muito rápidas, temos a impressão de estar atentos a coisas que acontecem simultaneamente, mas na verdade estamos com a atenção lá e cá.

 

Assim, acompanhar o que se fala numa reunião e ao mesmo tempo checar uma mensagem no celular dá nisso: ou estamos com atenção na reunião e o cérebro não registra o que lemos, ou estamos com a atenção na mensagem e o cérebro não registra o que ouvimos. Há perda de informação, que pode levar a uma falha de comunicação, que pode gerar erros, levando a prejuízos, retrabalho... Enfim, perda de efetividade.  

 

Ooutro efeito colateral do pingue-pongue de atenção que chamamos de multitarefa é realizar atividades no piloto automático. Se, por um lado, a capacidade do cérebro de alocar atenção é restrita, por outro ele tem uma capacidade ilimitada de automatizar atividades rotineiras. É graças a isso que não precisamos prestar atenção para localizar as letras de um teclado enquanto o pré-frontal pensa sobre o que escrever, por exemplo.

 

Agora, quando tentamos fazer ao mesmo tempo duas atividades que requerem atenção, uma delas acaba sendo feita de forma automática – e aí cometemos erros absurdos, que nos fazem pensar “onde eu estava com a cabeça quando fiz isso??” Erros levam a prejuízo, retrabalho... De novo, perda de efetividade. 

 

Multitarefa = ansiedade e stress

 

A neurociência também constatou que repetidas e rápidas mudanças de foco nos deixam agitados e afobados, o que produz ansiedade. A ansiedade, por sua vez, eleva a produção dos hormônios do stress (cortisol e adrenalina), que super-estimulam o cérebro e tumultuam nossos pensamentos, deixando-nos mais ansiosos... É uma bola de neve!

 

Para completar o quadro, a contínua alternância de foco faz o cérebro consumir glicose rapidamente. Não é à toa que chegamos ao final do dia (ou nem isso) com a sensação de que o cérebro virou gelatina. Ficamos mentalmente esgotados, sem energia para pensar, e fisicamente exaustos também.

 

Talvez você esteja se convencendo de que ser multitarefa não vale mesmo a pena e procure se conter daqui para a frente. Mas não será tão fácil evitá-la, pois o cérebro é naturalmente receptivo a novidades e, com tantos estímulos proporcionados pela vida moderna, fica “viciado” em mudanças de foco.

 

Em um de seus artigos, o neurocientista canadense Daniel Levitin explica que a multitarefa cria um mecanismo neurológico de recompensa quando o cérebro muda o foco para ir em busca de novos estímulos:

 

“Atender o telefone, olhar alguma coisa na internet, checar o email ou mandar um SMS no meio de uma tarefa qualquer são escapadas em busca de novos estímulos que acionam os mecanismos busca-novidade e busca-recompensa do cérebro, provocando uma descarga de hormônios de bem estar. Por isso as escapadas são tão irresistíveis! Elas são como uma barra de chocolate zero caloria. E assim, estabelece-se no cérebro um sistema de recompensa por realizar mil coisas, em detrimento do mecanismo que recompensa pelo esforço de nos manter focados em alguma coisa até conclui-la.”

 

Felizmente, a habilidade de focar a atenção pode ser fortalecida e nossa mente, reeducada para evitar distrações. É isso que a prática de mindfulness proporciona.

 

A prática de mindfulness é a base do Programa Você Mais Centrado -  mais foco, bem-estar e satisfação com você mesmo. Saiba mais clicando aqui

 

 

 

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October 25, 2017

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